"E, havendo aberto o Sétimo Selo, fez-se silêncio no Céu por quase meia hora." Apocalipse cap. 8 vers. 1.
sábado, 26 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
PENSAMENTO DO DIA
segunda-feira, 21 de março de 2011
CÂNCER
[Penso que é um câncer]
Minhas mãos tremem e suam.
A vista embaça.
As pernas fraquejam e me apóio na parede para não cair.
[Sinto que é um câncer]
E dentro de mim há uma explosão.
Me inclino.
Abro a boca e jorra quente: "Sim, eu estou com ciúmes!"
[É, é um câncer]
segunda-feira, 14 de março de 2011
VAZIO
Noites insones em festas barulhentas, regadas a beijos insípidos de mulheres sem rostos. Gozos efêmeros em coxas insossas.
Ergue a taça cheia, brinda à solidão, e traga toda a amargura contida naquele líquido que desce rasgando a garganta. Diz que tem gosto de vida e dá uma cusparada.
Logo mais o estômago protesta fazendo-o regurgitar pedaços daquela que o completava. Agora é um meio-homem. O sobejo no canto da boca é tratado com mais atenção que sua inabilidade de manter um relacionamento.
E num lampejo de meio-sobriedade, vê, sente, sabe, que o buraco em seu peito está mais largo, mais fundo e mais dolorido...
quinta-feira, 10 de março de 2011
A MORTE DO AMOR
Inevitavelmente o momento do "adeus" chegou.
Ao afastar-se daquela que amava
A morte do Amor aos céus rogou.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
INFERNO ASTRAL
Quando dei por mim, já estava diante de uma caverna. Lembro quase nada do acidente... Apesar do intenso calor e um rosnado assustador que vinha de dentro, uma força invisível me impelia a seguir . Parei em frentre a um imenso portal com um letreiro no alto: Primeiro Círculo do Inferno.
O Portal se abriu. O calor aumentou e o rosnado também. Um pequeno diabo veio em minha direção, deu-me as boas-vindas e disse-me que ali seria o meu lugar, e que ficaria por toda a eternidade. Disse também que a partir de então, teria uma tarefa. Quando questionado por mim sobre o que seria essa tarefa o encarnado assobiou longa e agudamente. Ao fim do assobio, percebi que havia chamado o emissor do rosnado.
Mesmo que me fosse permitido sair do Inferno, não conseguiria, pois estava paralisado. Não era somente o fato de ser um animal de uns dez metros de altura, com corpo de cachorro e possuir três cabeças. Mas sim, de que em cada cabeça, ao invés de ser a cabeça de um cachorro [em consonância com o corpo], na verdade, eram as cabeças das minhas três ex-esposas! E as três cabeças falavam ao mesmo tempo. Reclamando, cada uma em seu momento mais insuportável.
Marcela, a primeira esposa, queixava-se de que nós não saíamos o tanto quanto ela queria. Que eu não ganhava o bastante para sustentar os seus “pequenos” luxos. E precisava de mais roupas e jóias.
Adriana, a segunda, gritava que estava sentindo o cheiro de outra mulher em mim. “Perfume barato”, berrava. E queria saber quem era a sirigaita [ela ainda usa esse termo?!] com quem eu estava. Falava também que eu não pensava em outra coisa senão traí-la.
Ursula, a última, chorava e entre soluços acusava-me de não dar a devida atenção que ela merecia. Que minha indiferença a magoava. Preferia meus amigos a ela. E sabia que nunca a amei.
Ouvindo essas três cabeças no corpo de um cachorro [animal que nunca gostei!], dei-me conta que acabara de deparar-me com meu maior pesadelo. Só que a situação era bem pior, pois eu não estava dormindo para ser um pesadelo e conforme einformara-me o maldito diabrete, eu ficarei aqui por todo o sempre.
O infeliz deu-me uma coleira tripla presa a uma única alça e também uma vara. Explicou que a tarefa seria colocar a coleira na fera. Desejou-me sorte e saiu.
O imenso monstro olhou-me bem fundo nos olhos e, nesse momento, percebi que as três tinham o mesmo olhar. Fiquei imaginado se todas as outras mulheres também eram parecidas. Tentei lembrar de Alice [minha atual namorada – quando eu era vivo, é claro!], mas não consegui mais do que um par de olhos brilhando porque estava diante daquela bolsa de grife modelo único. Me esforcei um pouco mais e recorri à Leandra [primeira namorada], mas tudo que lembrei foi que seus olhos estavam sempre vermelhos – não parava de se drogar um instante –, e só falava que éramos a esperança para mudar o país.
Enquanto eu divagava, o Cérbero-Ex-Esposas se aproximou. Ergui a vara e elas [ele?] pararam de chofre. Pensei então que não seria tão difícil assim executar tal empresa. Mas ao ver a coleira, voltaram os gritos, reclamações e choros. O que, misturado, mais parecia com um rosnado demoníaco.
Antes que eu percebesse, Marcela abocanhou-me [sempre a mais ávida por destruir-me das três!] e em seguida Ursula arrancou-me o braço esquerdo, e com sua bocarra com imensos dentes a mostra, Adriana desferiu um golpe violento contra mim. Em seguida, as três mordiam-me ao mesmo tempo e meu último pensamento foi se eu poderia morrer. Depois tudo ficou escuro. Achei que estivesse morrendo – novamente.
Acordei sendo atingido por uma vara veloz e impiedosa. Era o maldito diabrete quem dava as varadas. Reclamava que não podia estar dormindo enquanto ainda tinha uma tarefa a cumprir. Foi quando dei-me conta que estava com o corpo reconstituido. Aquilo pareceu ser normal ao diabrete, pois ele não deu a mínima e mandou-me ir atrás do cruel monstro e colocar-lhe a coleira. Fui.
Não andei muito e encontrei a besta. Esta, por sua vez, quando viu-me, tinha os três pares de olhos brilhando de satisfação e malícia. Correu em minha direção e novamente lá estava eu em sua boca. Ou melhor, em suas bocas.
Fui estraçalhado outra vez. “Morri” outra vez.
Acordei e meu corpo estava mais uma vez intacto. Foi então que entendi que isso fará parte da nossa convivência. Eu tentando adestrá-las. Elas despedaçando-me. Nada muito diferente da nossa vida conjugal e pós-divórcio...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
O que é mais relevante?
P. acordou no meio da noite com a nítida sensação que o mundo desomoronava, olhou para o lado e o próprio Jesus estava a sua espreita, logo o indaga?
- O que é mais relevante?
O silêncio invadiu a sua alma e os seus ossos trincaram, enquanto uma série de passagens aleatórias invadiram sua mente e freneticamente definiam prioridades, o último beijo na mãe, a última briga com o pai, o olhar carente da amante e o abraço apertado da namorada…
Com mil respostas e nenhuma certeza, proferiu:
- Não existe relevância, além de ti.
Uma risada reverbera pelo quarto, os objetos antes inanimados gargalham e o Rei dos Judeus se despe…
… por debaixo do manto vermelho, surge um cópia de P. que diz:
- Não seria esta a verdadeira relevância?
Surpreso, e pronto para contestar quando é interrompido por um voz estridente e afoita:
- Vai amor, não pára já estou quase lá…
P. acabava de entrar em seu mais estranho nirvana.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
HUMOR AFRO-DESCENDENTE
- Não, por quê?
- Porque recebeu a conta de gás.