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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O ENDEREÇO DOS SONHOS

Finalmente o avião aterrissa! Foi uma viagem longa e cansativa.

No aeroporto pego um táxi.

Encosto a cabeça no apoio do banco, digo o endereço ao taxista e perco-me em meus pensamentos... Penso nela, em nossos dias felizes – e nos tristes também –, em todas as promessas que fizemos um ao outro. Em tudo o que a gente poderia ter sido, mas não deu. Ela não quis ou eu não quis.

Olho pela janela do carro e aquilo tudo me parece tão longe da realidade. Da minha realidade.

Vejo pedestres, vendedores ambulantes, bichos, todos disputando um pedaço da calçada. Uma eterna briga por seu território.

Pergunto-me se eles são felizes...

E eu, sou feliz?

Sou tirado dos meus pensamentos quando o carro para. Então, percebo que estou em frente a casa dela. Dei o endereço errado ao taxista. Ele está olhando pra mim, diz quanto custou a corrida e estende a mão para receber o dinheiro.

Digo que me enganei. Que aquele não é meu endereço – nunca foi meu endereço! Talvez, em meus sonhos – e desta vez falo o correto.

Ele dá partida e o carro sai. Penso em olhar para trás, mas me contenho. Porém, antes do carro entrar na rua seguinte, olho para trás.

Nunca deixei de olhar para trás.

domingo, 11 de dezembro de 2011

TIPO DE CARA

Sabe aquele tipo de cara que ela sempre liga quando precisa de um ombro pra chorar?
Sou eu.


Sabe aquele tipo de cara que, quando ela tem uma novidade, conta pra ele, pois torce MUITO por ela?
Sou eu.


Sabe aquele tipo de cara que, quando ela ‘tá mal, ele tem as palavras exatas que vão consolá-la?
Sou eu.


Sabe aquele tipo de cara que ela adora ter por perto, pois a faz rir bastante?
Sou eu.


Sabe aquele tipo de cara que ela JAMAIS vai ficar porque ele é “legal demais”[!]?
Pois é... Sou eu. ¬¬’

sábado, 19 de novembro de 2011

SIMPÁTICO

Sentado, ele olhava a paisagem pela janela do ônibus. Usava fones nos ouvidos.

Uma mulher que estava sentada ao seu lado, o cutucou e disse:

- Eu não ‘tou conseguindo ouvir.

Ele olhou para ela, fez um gesto para indicar que não tinha entendido.

Ela o cutuca novamente e repete:

- Eu não ‘tou conseguindo ouvir.

Tirou os fones dos ouvidos.

- O que a senhora disse?

- Que não ‘tou conseguindo ouvir.

- O quê?

- O que ‘cê ‘tá ouvindo.

- Isso deve ser porque os fones estão nos meus ouvidos, não? – ironizou.

- Sim, claro. Mas mesmo assim, sempre dá pra ouvir um pouquinho. Eu gosto de saber o que as pessoas ouvem.

- Ah. – disse sem mostrar nenhum interesse. - Acontece que a senhora não ‘tá conseguindo ouvir porque eu não ‘tou ouvindo nada. Na verdade, eu detesto música! ‘Tou apenas com os fones.

- E por que faz isso? – perguntou curiosa.

- Para evitar que as pessoas puxem conversa comigo. Odeio falar com desconhecidos. Não tenho paciência e nem gosto de parecer simpático.

Ela deu um sorriso forçado. Olhou à sua volta, viu um lugar vazio e foi sentar lá.

Ele colocou novamente os fones nos ouvidos e continuou a observar a paisagem pela janela. Em silêncio.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

sábado, 29 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

THE ONE

- Fico me perguntando como será quando eu arranjar outra namorada...

- Que é que tem?

- Como é que vou arranjar outra se não consigo esquecê-la.

- Esquecer quem?!

- “Ela”.

- Que “Ela”?

- A “The One”!

- “A” “’The’ One”?

- ‘Cê entendeu. Não faz graça...

- Não existe “The One”, velho.

- Claro que existe!

- Não, não existe.

- E existe o quê?

- Um amálgama de todas as ex-namoradas.

- Hum... E a Patrícia?

- Não fala na Patrícia, porra!!

- Ainda dói?

- Dói!

- Pensei que ‘cê tinha dito que não existe “The One”.

- Sempre existe. Sempre.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

PALAVRAS

Antes, escrevia palavras de amor. Hoje, escrevo palavras de dor. Amanhã, escrevei apenas palavras.

sexta-feira, 25 de março de 2011

PENSAMENTO DO DIA

"Tivesse ele mantido um diário de dor, o único registro teria sido a palavra: eu"


Philip Roth

Boo Box 07

Boo Box 01