Mostrando postagens com marcador POEMA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POEMA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A AVE


Estava sentado em minha poltrona, lendo e tentando esquecer a amada que não está entre hostes celestiais e sim, goza de lascívia alegria em sua nova morada.
Eu tremia de frio e tristeza, sem nenhuma poesia para enfeitar a ocasião. Foi quando aquela terrível besta – fruto de um ventre ignóbil – invadiu o meu salão.
Com um ruflar assombroso, perscrutou cada lugar. E, finalmente, encontrou um que considerou conveniente pousar.
Não sobre o busto de Atenas, mas em cima da urna de minha mãe, bem longe dos umbrais.
A negra ave de tempos ancestrais escancarou seu bico e quando pensei que iria amaldiçoar-me com um grito de “Nunca mais!”, surpreendeu-me, pois desaguava negro vômito sobre o chão. E meu receio em ouvir “Cras! Cras!” era inimigo de minha ambição.
A massa disforme e pútrida que a besta vomitara era o resumo de minha vida e a Ave profetizava: “Tu serás feliz jamais!”. Espanei o ar c’as mãos, “Vai-te daqui, besta agourenta. Deixa-me com meus ‘ais!’”.
Sofro por ela que me esqueceu, antes fosse Leonor, pois de presente só tenho a dor, já que o amor pereceu.
Olhou-me firmemente, e em seus olhos que nada negavam, pude ver os meus.
Por fim, entendi que as Trevas já me abraçavam e não adiantava gritar por Deus.
A loucura, tantas vezes invocada, tomava a razão.
Estava sozinho, não havia Ave alguma. Somente a solidão.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

SONETO DO AMOR CABAL

Cheiro de suor, bebida e esperma
O quarto é pequeno e sufocante
Deitada na cama me espera
Minha mais sincera amante
 
Me recebe com ar de candura
Com força, beijo minha amada
Seu corpo, invado sem mesura
Gemendo, ela mexe a cada estocada
 
Seu sexo me deixa extasiado
Dentro dela, fujo de toda dor
Após o gozo, permaneço deitado
 
Sem cerimônia, ela cobra seu valor
Aponta para a porta ao lado
“’Cê precisa ir, tenho mais clientes, meu amor.”

quarta-feira, 9 de maio de 2012

AH, O AMOR!


E, nada sabendo sobre o amor
Estendeu a mão para ela e disse:


- Vem comigo, vai dar tudo certo!


Ela foi.
Não durou três meses.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

MALDITO OLHO!


Odeio minha poesia carcomida,
Tão fútil e pedante!
Mostra a todos, desinibida.
Minha estupidez gigante.

Odeio minha tristeza recorrente.
Minha esperança parca e vã,
Que não enxerga na alegria ausente,
Extertores de uma mente sã.

Maldito coração! Carne que geme...
Quero o carisma cão:
Domínio de nossa mente.

Mas em mim, a razão jaz.
Restando a dor intensa,
Aonde planos de paz?
Apenas reticências...

Boo Box 07

Boo Box 01